Algumas lâminas do Tarot de Thoth parecem lagos calmos e tranquilos, a partir de onde se pode empreender qualquer viagem. Cartas que são pontos de partida. É o caso do 3 de Paus. Novos começos estão relacionados com esta carta, especialmente ligada aos padrões que estabelecemos em nossas vidas. Para começar de fato algo novo, para dar um novo passo, é preciso saber quais são os padrões que seguimos, as normas que adotamos em nossas vidas. Padrão e modelo são palavras assemelhadas, e é para elas que podemos levar os nossos olhos esta semana.
Nada disto tem a ver com o que o mundo pensa de nós, ou com o que nós consideramos ser “a coisa certa a ser feita”. Padrão, aqui, não fala do caminho correto a ser percorrido, mas do ideal que nos inspira, e que é o nosso próprio padrão interno. De conduta, se você quiser usar essa palavra. O 3 de Paus nos fala daquilo que nós estabelecemos em nossas vidas como nosso padrão interno, o modelo que seguimos em nossas vidas e que consideramos ser o melhor. Não deveria haver intromissão do mundo externo aqui, mas sim da confiança que devemos construir em nossa voz interior.
A semana nos fala de validarmos essa voz. De correspondermos ao ideal que temos de nós mesmos – o que pressupõe sabermos que ideal é esse. Esta é uma semana bastante especial para olharmos para nós mesmas e pensarmos sobre quem somos e sobre o que queremos de nós mesmos nesta vida. É uma semana especial para confiar em seus sonhos, em suas visões, nos seus mais altos voos de imaginação. Especial porque há uma energia específica no ar que tem a ver com autenticidade, com força e com coragem. Talvez seja preciso, e mesmo recomendável, olhar-se ao espelho com sinceridade. Sem aplicar nenhum verniz nem tinta à imagem que vemos de nós mesmas quando nos olhamos. Aquela pessoa que está diante de você, ao espelho, é você mesma, com todas as suas nuances e particularidades. Qual é o ideal que se aplica a esta pessoa! Qual é o ideal que você quer ver desabrochar nessa pessoa que olha para você com os seus próprios olhos!
É este ideal, que eu volto a chamar de padrão, que a semana inspira. O padrão que podemos ter com relação à nossa conduta com o outro, com o mundo, com os nossos filhos, com a nossa memória, com aquilo que fazemos e como fazemos. A semana nos inspira a não sermos nem um centímetro a menos do que queremos ser, e de aplicarmos esta regra de ouro a tudo em nossas vidas. É preciso um certo cuidado com a onipotência, talvez. Você pode querer ser o exemplo de ouro para uma porção de coisas, mas lembre-se de que cada pessoa é uma pessoa, e que aquilo que você quer de você não precisa e nem é aquilo que a pessoa ao seu lado quer dela mesma. O que importa aqui, talvez, é a necessidade de refletir sobre onde se pisa ou com quem se anda, que associações e ligações se estabelecem, porque dentro do seu padrão de conduta e vida algumas situações precisem ser retiradas, e algumas escolhas feitas e decisões finalmente tomadas.
Esse espelho, de onde você vê a si mesma refletida, é o maior auxiliar da semana. Ele lhe dirá, sem rodeios, se você está correspondendo ao que você mesma quer para si. Se o seu gesto, a sua palavra, o seu pensamento, correspondem àquilo que você quer ver refletido no espelho. Ele lhe mostrará a sua voz, a sua singularidade, o seu próprio lugar na vida e no mundo – e para isso será benéfico um certo alheamento do mundo, especialmente do virtual das redes sociais, que querem muito ser o nosso espelho. Elas não são. Não confunda vitrine com espelho e por favor não use a vitrine do outro como seu espelho. Lembre-se de que você (e eu, e todas as pessoas) é um ser único e irrepetível, com uma jornada única e irrepetível, na qual os outros poderão ajudar, muitas vezes, mas é você, o seu caminhar e a sua conduta que no final de contas importam. O mundo grego tinha uma palavra que se aplica à nossa semana, Areté – a qualidade interna do ser que nos transforma na nossa melhor versão. Areté não tem a ver com julgamento externo, mas com percepção interna. Não há moralismos, nem perfeccionismo nem pureza. Areté escolhe a melhor ação disponível alinhada com o que a sua voz interior lhe diz ser o correto e justo. A semana está preenchida de uma energia particular que nos facilita o acesso a nossa areté.
Agora, para validar isso que podemos chamar de sua “voz interior” é preciso primeiro aprender a encontrá-la, e aprender a escutá-la, a reconhecê-la em meio ao barulho incessante do mundo. Será muito difícil fazer isso sem silenciar, sem criar espaços e tempos bem concretos para encontrar essa voz e ouvi-la. E é mais sobre a qualidade do espaço e do tempo do que da quantidade. Ofereça-se esse tempo – silencie o mundo e entre em você. Escute-se, ouça seus sonhos, as suas aspirações, permita que a sua intuição seja aquela que guia seus passos.
Além disso, a semana pode lhe oferecer muitos insight a respeito de tudo aquilo que, em você, não se alinha a seus próprios padrões. Será benéfico permanecer um pouco junto a essas porções suas que não correspondem ao que você quer de você mesma. Não para se lamentar ou chicotear, submersa em culpa e desgosto, mas para justamente alinhar o que está desalinhado. Aprofunde também o seu olhar nesse setor do espelho, não fuja desse quadrante. Vá até o fundo disso que não lhe traz nenhuma satisfação e depois solte. Liberte. Deixe que “isso” se vá e construa o novo no lugar.
E perceba, por fim, que tudo isto é interno e muito mas muito pessoal. Os seus padrões são só os seus padrões, e viver sob seu próprio código precisa incluir saber disso, e não se arvorar a ditar os códigos alheios. O que é bom para você é bom para você, não caia nas armadilhas fáceis e abundantes do orgulho, da vaidade e da supervalorização. E lembre-se de que essas armadilhas começam a se armar quando você começa a se comparar com a vida alheia. Mantenha-se a salvo, em profunda conexão com seu caminho, com suas aspirações, ideais e padrões.
Boa semana.