A última semana de Maio apresenta-se sob a inflluência do 5 de Copas. Segredos revelados, causando decepções ao seu redor, são a maior probabilidade e tendência dos próximos dias. Tendências são seres que se esticam e alongam, essa é a raiz etimológica da palavra tendência, e, diante das tendências, nós nos posicionamos, quer queiramos ou não, sejamos conscientes disso ou não. Diante de algo que se alonga em nossa direção, que se estica, por vezes assumimos uma posição de defesa, por vezes uma posição de acolhimento. Podemos estar mais ou menos acordadas, mais ou menos atentas e agindo sabendo por que o fazemos. A tendência, em si, apenas existe. Cria uma inclinação, facilita um determinado padrão. O que nos cabe é a nossa ação diante dela, a maneira como a aceitamos ou não, como a refletimos ou não. Diante de uma tempestade, importam pouco os gritos enfurecidos que você possa soltar contra ela. Importa buscar abrigo, e importa saber onde o encontrar.
Pois bem, diante do 5 de Copas talvez seja necessário construir-se abrigo.O melhor abrigo para as situações que o 5 de Copas costuma refletir chama-se prestar atenção às suas expectativas. Ninguém vive sem expectativas, e também não vive sem desilusões. Em algum momento, a vida não será o que você esperava, ou o que você desenhou. Isso é viver. Em algum momento você não conseguirá a promoção que tanto deseja, nem aquele posto para o qual se preparou arduamente. Expectativa não é a mesma coisa que esperança, mas podem se ligar intimamente, porque tendemos a perder a esperança quando as nossas expectativas não se confirmam. É preciso ancorar a esperança em outro lugar. Não nas expectativas, sobretudo quando elas são pouco realistas, e estão mais ligadas aos nossos desejos mais pueris do que ao nosso ser adulto que observa e conclui com maturidade.
É preciso, esta semana, especial atenção e cuidado com as teorias que podem se arquitetar em seu campo mental. Manter um distanciamento das suas expectativas, dos seus desejos, daquilo que você tanto deseja, precisa esta semana ser acompanhado do lembrete de que teorias apenas são pouca coisa. Teorias, intenções, grandes discursos, a sedução da retórica – mantenha-se atenta. A semana não nos chama a ações externas, nos chama a ações internas que nos revelem o outro lado das coisas. A semana nos pede para olharmos para o que não costumamos olhar, para o que não costuma chamar a nossa atenção. Por isso, a mente precisa trabalhar a seu favor, porque provavelmente seja fácil cair nas artimanhas teóricas que se desdobrem diante de nós. Uma espécie de “desconfie do que lhe pareça muito bom, porque provavelmente não seja mesmo”.
No que diz respeito a nós mesmas, a nossa vida interior, pensamentos recorrentes como “nada de bom acontece comigo”, “nunca conseguirei o emprego que quero”, “sou muito fraca (ou inadequada, ou incapaz, ou azarada) para dar conta das coisas”, “sempre estas coisas ruins acontecem comigo”, “a minha vida é só sofrimento” precisam ser extirpados da sua mente. Eu não sei se você consegue perceber o campo de negatividade que este tipo de pensamentos criam em torno de você, mas essa é a força de atração que você cria ao seu redor, poderosa, esse é o chamado que você faz. Faça um acordo com você mesma de caçar e exterminar esse tipo de pensamento cada vez que ele apareça, e use o poder da afirmação para preencher o espaço vazio que reste: “tudo o que quero eu posso alcançar”, “tenho em mim tudo o que preciso para dar conta das tribulações da minha vida”, “tudo o que me acontece eu consigo lidar de forma positiva”. Apenas este trabalho interno poupará a maioria dos problemas que a semana possa apresentar, mas é preciso lembrar-se e criar um dispositivo interno para travar esse tipo de pensamento, e isso é a sua tarefa da semana, gerar esse dispositivo, especialmente se essa costuma ser a sua forma de reagir diante do mundo. É preciso constância, e é preciso evitar dispersão.
A semana provavelmente se revele instável, pouco confiável; é possível que projetos sejam freados, que se perceba o início do fim; é possível que a frustração impere e que as promessas feitas não sejam cumpridas e isso tudo nos fira profundamente. O ponto de cada pessoa, de cada uma de nós é a maneira como responde a esse cenário. Nada mais importa, no fundo, a não ser saber responder, e escolher escolher em vez de apenas reagir.
Mantenha-se atenta, ancorada. Revise os seus ritos diários, e experimente a satisfação da disciplina mental – ela é o chão firme que pode sustentar a sua vida.