Sabe aqueles momentos da vida em que se sente claramente que talvez o melhor seja mudar o foco e ocupar-se com algo que flua efetivamente? Que talvez não valha mesmo a pena dar murros em ponta de faca, ou bater a uma porta que ninguém abre, ou tentar avançar por um caminho cheio de espinhos e entraves?
A palavra correta não é distrair-se – porque isso seria literalmente, ser puxado em direções diferentes, e o intuito da semana tem uma relação maior com não ser puxado, mas deixar-se guiar. Por quem? Pela sua própria percepção de que não vale a pena, agora, avançar por aí, fazer isso ou decidir aquilo. Repito: não é se distrair, mas se encaminhar com muita presença de espírito para o que lhe possa trazer a sensação de que vale a pena ter acordado neste dia.
E por que é importante este tipo de decisão? Porque a semana não se mostra favorável a finalizar nada, ou seja, a decidir se você vai ou não vai, se faz ou não faz, se compra ou não compra, e sim de deixar que passem uns dias para tomar decisões. Há obstáculos no caminho, e o que a leitura desta semana sugere é que, sejam eles criados por você mesma, sejam externos e alheios a você, o mais produtivo e menos desafiador é não tomar decisões finais sobre coisa alguma. Por isso, a semana não é propícia a desfazer a acordos, a cancelar contratos, a romper relacões, a imaginar que “pronto, esta é a semana em que tomarei decisões definitivas”. Como costuma se dizer, o mar não está para peixe e apenas um pescador inexperiente sairá cedo da cama para lançar ao mar as suas redes.
Convém, esta semana, driblar as dificuldades que porventura apareçam com aquilo que você aprecia – os assuntos todos a que você dá valor, que você considera. Coisas simples, de preferência – um bom livro, um bom filme, uma exposição de arte, um passeio em meio à Natureza, um treino vigoroso, o álbum de música que lhe faz bem escutar. A semana pode ser muito proveitosa se a dedicarmos a esses lugares de apreço, também mas não só porque olharemos para as nossas vidas buscando, de fato, o que nelas mais tem valor, pequenos gostos, pequenos gestos, momentos que alegram o dia, como a pequena escadinha que nos faltará para chegar ao êxtase divino se não nos permearmos das pequenas epifanias da vida, como diz Lispector. Essas pequenas coisas, que nos enchem o coração de uma espécie de plenitude, não acontecem a todo momento nem são duradouras – mas é nelas que reside o bem mais precioso da semana. Teimar no que não está pronto, no que dá mostras de não estar maduro ou disponível só lança poeira em nossos olhos e espinhos em nosso caminho. Esta é mesmo uma semana em que podemos evitar problemas, tanto quanto criá-los. Não é sobre os problemas em si, mas no quanto você os amplia ou reduz.
Esses problemas podem efetivamente surgir de qualquer lado e por qualquer motivo. Se você considerar que onde há fumaça há fogo, talvez possa considerar também que, havendo fogo, a chance de se queimar existe, e talvez valha a pena não correr atrás para apagar fogo algum. Às vezes entramos em incêndios que não são nossos, às vezes usamos litros e litros de água para apagar o que afinal era só uma pequena vela, às vezes não damos tempo de que o precioso fogo transmute por si só o que precisa ser transmutado. A semana pede que não tentemos resolver assuntos que se mostram espinhosos ou meio atrapalahados, nem entrar em lugares que estão por demais tumultuados. As brigas, as discussões, e o mal estar que elas podem gerar a médio e longo prazo não valem o seu precioso e esgotável tempo.