Esta é uma semana de sabedorias escondidas, pelas quais há que lutar, como luta um cavaleiro na selva escura. Não são sabedorias depositadas na clara e reconfortante luz do Sol, mas naquela que o reflete e, via de regra, distorce. Estamos diante de uma das Chaves mais misteriosas do Tarot, dona da capacidade de nos confundir à exaustão. Dentro dela, é preciso ter calma, e observar duas e três e quatro vezes as nossas percepções, intuições e visões. Nada é o que parece à primeira vista. A Lua nos envolve em seu manto mágico, e tudo em nós que conversa com a clareza, com a lucidez, com a sensatez, desaparece num instante. É diante de momentos assim que o pânico se instala, e uma vez instalado corre como rastilho de pólvora – atinge você, atinge quem está ao seu redor, atinge muito além do que todos nós pensamos.
Classicamente, enganos e fraudes flutuam à tona deste Arcano. É muito importante, ao longo da semana, cultivar a calma, o respirar calmo, e oferecer-se o tempo necessário para aprofundar a sua percepção sobre as coisas. Porque, embora os enganos estejam à solta, também está potencializada a intuição profunda. Repare: há uma diferença entre a sua percepção imediata das coisas (que gera emoções e movimentos irrefletidos que você pode lamentar mais tarde, e que muitas vezes você confunde com intuição) e a intuição profunda que lhe diz sutilmente que, apesar das evidências imediatas, tal assunto, pessoa, situação ou lugar não é o que parece ser. Essa é uma das essências mais poderosas da Lua: as coisas não são o que parecem ser, e esse motivo desperta, acorda, desabrocha a sua comunicação profunda com setores mais internos do seu Eu, e que respondem pela intuição profunda do seu psiquismo. O arrepio que você sente pode ter vários motivos, e sair correndo apenas porque houve um arrepio não é a sua intuição falando, mas a sua reação automática, preenchida pelas experiências do passado, que é ativada. Cuidado com a confusão que as percepções imediatas podem trazer para a sua vida.
Por isso, é preciso resistir aos ímpetos, sobretudo ao ímpeto do medo. Ao ímpeto de “o pior acontecerá”. Esse é o ímpeto que predomina – mas ele faz parte das ilusões com que a Lua ilumina a noite escura. Tenha calma, analise, volte a analisar, pondere, exerça o seu poder sobre o seu pensamento, e não se deixe levar pelo tumulto ao redor.
Mantenha-se atenta aos “apóstolos do caos”, aos “arautos do fim”, a tudo aquilo que queira lhe convencer que o sombrio caminho já está marcado e é inexorável, ou seja, não tem escapatória. E lembre-se, esse arauto pode falar dentro de você.
Mas deixe-me lhe contar sobre o extraordinário poder que a semana parece oferecer – a capacidade de transformação multiplicada por mil. A capacidade de renascer, de renovar, de sair de padrões de conduta, de vícios, de hábitos destrutivos, de crenças limitantes e de desafios desnecessários. Se há algo em sua vida em que é preciso colocar um ponto final, se há algo profundo e devastador em você que é preciso finalizar, a semana é simplesmente a reunião de forças energéticas que você mais precisa para dar esse passo – com medo, sim, mas com força para se sobrepor a ele. Este pode ser o último momento do túnel, a última pá de terra que você retira do buraco onde você se sente: mas é preciso dominar a si mesma, dominar o medo, dominar a fúria, dominar a repulsa, dominar o padrão destrutivo e sabotador de si mesma.
Com firmeza e com lucidez, a semana representa uma virada. É preciso manter o eixo firme, a engrenagem mental limpa, e cada pessoa saberá o que fazer, em seu particular estado, para se manter assim. Lembre-se de que você não está sozinha, lembre-se de que o passado não é uma sombra que se repete sem dó, mas uma informação que ilumina o caminho, lembre-se de que não é preciso repetir erros, porque você é dona e senhora de seu destino e, nas profundezas de seu Coração, nas profundezas da sua Alma, você sabe. Decida-se por trilhar o caminho até o mais dentro de si, e você está em segurança.