Esteja você onde estiver, e sejam quais forem as condições da sua vida esta semana, O Louco acaba de cruzar o caminho e traz com ele o amanhecer de um dia ensolarado, a alegria incontida de uma criança diante do mundo, a dança do universo no seu nascimento. Impossível não ter a atenção capturada por esta figura. O Louco, que é o nosso mais profundo e secreto iniciador na arte de viver, preenche a energia da semana, e muito provavelmente tenhamos ajudas para nos sentirmos mais livres e mais confiantes, mais capazes de darmos passos que só nos mais ousados sonhos imaginamos dar. Sejam passos na vida, sejam passos de dança. O Louco está em todos os lugares, um pouco à espera, um pouco à espreita.
É como se a confiança estivesse mais ao alcance da mão, e a esperança mais ao alcance do coração. Este arcano que não tem ligar fixo, é o próprio potencial infinito. Aparece só mesmo quando quer, e a semana, trazida pelas suas mãos, oferece mais leveza do que costumamos ter. Óbvio: o medo acompanha este processo. Diante da liberdade, o medo é a sombra. O medo é, paradoxalmente, o lugar onde provavelmente vamos querer nos refugiar. Veja que loucura: quem quer se refugiar no medo? Porém, diante do novo, o medo parece refúgio, e lhe damos o nome de segurança. Por vezes essa sombra também se veste com a roupa da vergonha, ou com a roupa da sensação de não estar prontos, ou limpo. “Isso não é para mim” – e o Louco ri, e abre-lhe a porta, mostra-lhe a passagem e brincante puxa pela sua mão.
A semana recomenda coragem – porque ela existe. Recomenda abertura e confiança, recomenda que se olhe para a vida com os olhos de quem acaba de nascer. A sua vontade de não sair da toca, de casa, do quarto, do armário, do sofá aconchegante é também a sua vontade de não sair dos campos sombrios, depressivos e aniquiladores onde tantas vezes nos escondemos – o Louco lhe diz saia, venha, pule dessa encosta e abra-se ao desconhecido e ao abismo. Quem já saltou de paraquedas sabe da sensação de pular no vazio. É O Louco a força que nos impele a fazermos e sermos aquilo que não nos imaginamos capazes de fazer.
Portanto: lance-se!
Há que tomar cuidado com essas forças que lhe dizem que não, que a amargura pode habitar a sua casa, tudo o que lhe garanta que você não tem o direito e nem a capacidade do novo, que a realidade não vale a pena. O Louco diz que sim, que a realidade vale muito a pena, essa realidade nova que ele traz em seus olhos. Há sempre novas maneiras e formas de olhar e lidar com os desafios da vida, não é preciso se soterrar debaixo daquilo que é amargo e pesado.
Atenção, ao mesmo tempo, aos limites. Sim, saltar de paraquedas é bom. Mas com o paraquedas nas costas, obviamente. É bom, e muito propício, lançar-se às aventuras que a semana proponha. Um novo emprego, uma nova ideia, um novo caminho, um novo encontro, uma nova forma de meditar, se exercitar, se alimentar, se relacionar… coloque aqui o que for da sua vida e que precisa de renovação, tudo aquilo que você sabe que precisa de vento novo. Mas é preciso ter respeito pelos limites que determinam segurança, e esses limites provavelmente estejam claros esta semana, e eles são muito benéficos. Este nosso Louco da semana não é inconsequente nem alucinado, mas respeitador dos limites da vida, e por isso há segurança sim nos convites que ele nos faça.
É importante lembrar, ao longo da semana, que, por muito que ser maduro, sério e compenetrado sejam facetas necessárias nas nossas vidas,
o frescor, a espontaneidade, a leveza, a despreocupação e um certo caos são as forças poderosas são também facetas necessárias, e são elas que se oferecem na bandeja da semana. Não se permita envelhecer o seu pensamento esta semana, não deixe que o peso da seriedade e da amargura dos anos e das experiências passadas turvem as horas e as experiências da sua semana. Está em suas mãos, e na força que elas carregam, e na força que o Louco nelas deposita, reconhecer quem você é e quais são os limites que podem, e provavelmente devem, ser expandidos.