A Estrela é possivelmente a Chave mais otimista do baralho. Equivale a sabermos quem somos, onde estamos e o que viemos fazer. Relaciona-se com a percepção profunda, com o insight poderoso que nos abre as portas da compreensão sobre nós mesmos. Vivem, dentro dela, altas doses de regeneração e esperança. Profundamente aquática, mas ao mesmo tempo conectada ao cosmos, podemos imaginar uma semana de possibilidades de ruptura de padrões antigos, porque a Estrela é um Arcano que vem anunciando o novo, e é nessa ruptura, nesses lugares da semana em que tudo pareça se romper, que devemos deter o nosso olhar. Porque esta é a questão: como se lida com a ruptura? Com o fim? Com a descoberta? Com a impressão de impotência? Com a dor da separação?
A Estrela é uma carta constelada – ou seja, não estamos diante de uma Estrela, mas de uma inteira composição de constelações, onde imensas e numerosas estrelas despejam sobre nós as suas irradiações. Por isso tamanha esperança. Porque podemos descobrir, esta semana, a imensa quantidade de possibilidades, desde que nos mantenhamos abertos a isso, e não nos fechemos em uma única percepção, em uma única forma de interpretar e contar o que nos acontece, o que acontece ao nosso redor. A perspectiva que a carta da semana traz é justamente abrirmos o foco das nossas perspectivas e impedirmos a nossa mente de, primeiro, vagar sem esmo, e segundo se prender a uma única maneira de olhar para um fenômeno. E é importante lembrar que a vida é isso: um fenômeno, aquilo que é visto, aquilo que aparece. A etimologia da palavra é bem bonita – deriva do grego φῶς (fós), que significa luz.
Haja o que houver, passe você por onde passar, lembre-se de que é um milagre e uma bênção estarmos vivos e aqui, agora e neste tempo. Muito do que pode se abrir esta semana inicia um novo tempo, e é muito mas muito importante não esquecer disso, porque nem sempre as passagens são interpretadas corretamente. Há muita liberação em curso, e a esperança é a melhor guia que podemos ter.
Essas passagens, que são rupturas, serão melhor atravessadas se nos mantivermos em equilíbrio. Isto que parece quase óbvio provavelmente seja indispensável. Manter-se em equilíbrio significa aqui transformar e operar transformações internas e externas. Significa pegar os materiais que tiverem sido oferecidos ou despejados sobre nós e construir um banquete. Não é apenas fazer a limonada com os limões que lhe deram. É transformar esses limões em iguaria, e perceber que nunca são só limões – há mais materiais disponíveis, há mais energias, há mais coisas para colocar em sua panela mágica.
O pior desastre da semana está na palavra entregar-se. À dor, ao medo, ao pânico, à impressão de destruição e morte – as mortes, todas elas simbólicas ou não, precisam ser atravessadas pela luz da Estrela. Pela luz da possibilidade múltipla, da percepção ampliada, pelo otimismo, pela fé, pela esperança. Lutar contra o afundar-se, contra o desespero, contra a desolação, passa pela decisão de perceber que a dor e a sensação de impotência nascem em nós mesmas. A Estrela anuncia novos estados de consciência – o que implica a morte dos anteriores, que por sua vez implica em entender a morte como um lugar de renovação, de regeneração, de restauração. Todas as meditações que possam ser feitas a esse respeito com certeza nos ajudarão durante a semana.
É possível que muitos dos processos que caminham em nossa direção, do futuro para o presente, tenham essas mortes simbólicas embutidas – a recomendação é de aplicar todo o seu esforço em perceber o caráter renovador e transmutador das coisas. E abrir-se para o novo. Organize-se, planeje a sua semana, separe um tempo diário para ver as coisas de novas perspectivas, sejam essas coisas grandes ou pequenas. Tudo tem importância, tudo tem a sua relevância. Ancore-se e permita que a vida navegue em você, forte e libertadora. Boa semana!