Estamos, esta semana, rodeadas pelas irregularidades que A Estrela, décima sérima chave do Tarot, propõe; pelo caos em que se baseia o Universo, e nós dentro dele, e para o qual é preciso desenvolver a visão que compreenda a ordem que emerge. Se lhe ocorrer, ao longo da semana, a frase “nada disto faz sentido”, lembre-se da Estrela, e agradeça a sua chegada. Julgamentos, aqui, só vão atrapalhar o seu caminho, porque as velhas fórmulas, que são as que você conhece, para a Estrela já não existem – não estamos diante da Torre, que já as destruiu, mas diante da Estrela, que expressa as forças desse Urano que nos diz uma espécie de “já era, prepare-se para o absoluto novo”. Nesse sentido, estamos entrando em uma semana de prováveis revelações e de percepções muito claras de que aquilo que tomamos um dia por garantido simplesmente mudou: não há como guardar, proteger ou defender o que se desfez.
Quem se aferra com muita necessidade a formas fixas de ver ou pensar ou viver pode provavelmente ter mais dificuldades em conviver com esta base energética que a Estrela carrega. Quem muito se vangloria de algo (as glórias vazias), se acredita superior, ou mais capaz, ou mais preparado, pode atrapalhar-se a meio da semana, porque justamente a semana parece muito disposta a rever todos os castelos de cartas que fazemos, soprando sobre eles esse vento gelado que a Estrela oferece, desmontando nossas certezas e nossas percepções agora equivocadas. Lembre-se: pode ter sido bom, pode ter tido valia, pode ter dado certo, pode ter sido caminho. Mas o passado está em seu lugar, que é no passado, e a vida segue com novas proposições.
Há uma coerência por detrás do que se esteja vivendo, seja o que for, mas provavelmente essa coerência não seja compreendida, e por isso a semana pede que baixemos a guarda dos nossos espaços vazios, sem nada dentro, que são as nossas vaidades. Um pouco de etimologia pode nos ajudar aqui: vangloriar-se e vaidade derivam da mesma palavra latina, vanus, que significa vazio, ocioso, e que por sua vez deriva da antiquíssima raiz eue – e que significa abandono, desistência. Vangloriar-se e ceder às vaidades são os imensos perigos da semana, os lugares onde nos abandonamos e desistimos de nós mesmas, e é preciso manter atenção sobre esses aspectos do ego. Os seus obviamente, convém cada pessoa cuidar de si mesma e deixar que as demais façam o mesmo.
Os clarins anunciam, com a Estrela em nossa mesa, uma nova era, e nos contam que esta nova era surge lá adiante no fim de um túnel – no entanto, é preciso atravessá-lo, e isto pode ser bastante perturbador. Por isso, convém dedicar-se, esta semana, a tarefas concretas, convém trabalhar a persistência, a dedicação, segurar-se um pouco para não cair na dispersão que pode chegar com a semana, e que será bastante desestabilizadora. Programe-se, e não se espante se a programação não resultar, se houver mudanças de rota. Não resista, não desista, não se abandone ao sabor dos ventos, porque provavelmente eles serão indomáveis, e você se verá atordoda em meio a eles. Mantenha as suas âncoras visíveis – estas podem ser os seus horários de sono, de alimentação, a programação de exercícios da semana, a agenda de trabalho, o dia a dia organizado. Não se revolte se as mudanças aparecerem, se afinal não lhe derem o crédito que acredita merecer, se ninguém perceber o quanto você se esforça, o quanto você se oferta, o quanto você é uma boa pessoa. Nada disso importa. Perceba que as certezas estão em processo de mutação, e não é a sua revolta que vai ajudar a transformar a sua vida em um lago sereno. Estamos em meio à tempestade, e o bom marujo sabe que, em meio à tempestade, é preciso ajustar as velas, adaptando-se à força e direção do vento, segurar o leme com firmeza e manter a calma. De nada adiantará gritar contra o vento – ele já ganhou seu espaço e será ele a abrir todas as janelas que nos mostrarão o novo ordenamento do mundo.