A Princesa de Copas nos leva pelas suas mãos nesta nova semana, segredando a nosso ouvido que é preciso manter o sonho desperto, que a chama precisa ser mantida acesa, que os nossos maiores desejos tendem a se realizar. Por isso, segreda-nos em nosso outro ouvido, é preciso saber o que sonhar, e como sonhar.
Muito do que nos acontece recebe influências de muitos lugares e dimensões, e relativizar ou desconsiderar essas outras dimensões e realidades impede que compreendamos corretamente os fatos da vida. Uma flor que desabrocha – por que desabrocha? Uma pequena semente que rompe a barreira escura e dura do chão e alcança a luz solar, por que o faz? Aquele pensamento que você teve, que fez você telefonar para alguém que depois agradeceu imensamente a sua ligação, veio de onde?
Essas perguntas não precisam ter respostas, não precisam da nossa especulação, mas talvez do nosso assombro diante do que, precisamente, não se explica e por isso mesmo nos enche de leveza. A semana, por isso, nos pede esperança, nos pede saber ser leve, nos pede que aprendamos a nadar nas águas que se apresentem e a ser batidas pelos ventos que se apresentarem, sem resistência.
A não resistência pode nos permitir compreender um desastre como liberação, pode nos permitir olhar os fenômenos do mundo (o grande Mundo e o nosso pequeno Mundo) sem sermos derrubadas, feridas ou aballroadas por eles. Poderemos ver a desconstrução do que precisa ser desconstruído sem que isso seja um golpe fatal em lugar algum, mas sim o curso da água, os caminhos do vento, o poder do fogo.
Nada disto é muito fácil, mas é possível. A evitar estão as atitudes bruscas, as palavras ácidas, os pensamentos destrutivos – como os sonhos (ou seja, a imaterialidade dos nossos pensamentos) tendem a caminhar para a sua concretização essa semana, como o desejo de engravidar caminha para a gravidez concreta, é preciso cuidar para que o nosso pensamento não seja uma arma de ferir, rasgar, matar, dilacerar. Mantenha a doçura dos seus melhores pensamentos e curve os demais o que precisar à primazia dessa doçura. Para que seus pesadelos não se tornem realidade, não lhes dê alimento.
A semana pode ser muito boa também para, sem sofrimento e apenas seguindo o fluxo aquático, nos livrarmos ou despedirmos do que nem sequer está mais vivo. É possível que forças que não estejam sob o nosso controle quebrem barreiras, destruam estruturas Sim, é possível e preste bem atenção: é benéfico. O que não será benéfico será a resistência a ver, a compreender, a perceber como essas forças atuam em favor e benefício do bem comum. E lembre-se que “onda forte não derruba nem machuca quem tem fé” – axé, axé! Um bom Carnaval, banhado e renovado pelas águas sagradas das Iyabás.