Sobre Ana
A vida parece-se muito a uma mesa de atendimentos. Podem passar-se anos e anos, posso fazer mil e uma consultas, ter um sem fim de conversas: há um frescor a cada novo momento, o mesmo baralho multiplica-se sem nunca chegar ao fim, abre-se como uma flor se abre diante de quem precisa dele. Nada mais sou do que sua intérprete, sua confidente, sua aprendiz. Assim é o Tarot, e assim é a vida.
A Palavra, use ela o veículo que quiser, é o eixo da minha vida – aPpalavra -poesia, revolução; a Palavra-cura, a que transforma, redime, renova, a Palavra-espiritualidade encarnada, a Palavra-escuta e fala, a Palavra- leitura e escrita.
Escrita e leitura, tradução, revisão e docência: esse foi o cerne de minha vida durante muitos anos. Estudos literários me levaram até África, acolhendo-me para isso dentro da Academia, desenvolvendo recursos de análise e compreensão do mundo ao redor a partir da maneira como ele se mostra, concentrado, nos livros. As literaturas africanas foram o cerne dos estudos literários que se materializaram como mestrado e doutorado, na Área de Literaturas Comparadas, na Universidade de São Paulo, sob a orientação da Profa. Dra. Rita Chaves.
A Palavra partilha, aliança entre curiosidade e diálogo, desaguou nas salas de aula. Servir de guia a quem quer escrever, a quem quer encontrar a sua própria voz na escrita, saber contar histórias, encantar-se com a Palavra – é nesta esquina que se começaram a se encontrar a Escrita e o Tarot. Livros começaram a nascer, a se publicar. Tal qual nascem crianças.
Fui mãe pela primeira vez em 1985, e pela sétima vez em 2002. Sete encontros que deram vida à minha vida, às minhas aspirações pedagógicas e artísticas, à minha busca de sentido e transcendência para a vida sobre o planeta. Nasceram também nove livros, o primeiro deles justamente sobre nascer, e sobre nascer em casa. Depois, outros oito livros passeiam pela poesia, pelo conto, pela crônica, pelo romance.
A docência formal nas escolas, a pedagogia Waldorf, os mergulhos potentes, nos presídios, na rua, na vulnerabilidade social. Em todo lugar, fazer nascer o escritor que vive dentro de toda pessoa, a escuta com o coração. Essa busca fez com que o Tarot se tornasse o eixo central da minha vida nas duas últimas décadas. Os aconselhamentos, a possibilidade de sempre articular escrita de forma criativa, os processos formativos.
Ao caminho sacerdotal como Iyalorixá de Umbanda juntaram-se ao longo dos últimos dez anos a Radiestesia Genética e a Terapia Floral do Dr. Bach. São hoje cinco caminhos que se abrem nessa mão que insisto em desenhar aberta, porque sei que só no Encontro, só na abertura, só na disponibilidade, a outra pessoa pode existir – e é só através da outra pessoa que uma pessoa se constitui.
Espiritualidade, Tarot, Escrita, Radiestesia e Florais são a minha tradução desta mão que lhe estendo aberta.