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Sempre, 25 de abril

O 7 é de longe o número mais cultuado por todos os cantos, símbolo disto e daquilo, o número da perfeição, das notas musicais às cores do arco-íris.

Descubro só hoje, quase 50 anos passados, vejam lá o nível da atenção, que 7 é também a soma deste dia tão importante para o meu país, o dia 25 de abril. É provável que este seja um dos raros dias do ano em que cresce dentro de mim esse amor à pátria, disposto até a escrever esse “meu país” bastante contraditório para quem vive expatriada dessa pátria há décadas. Mas este dia, 25 de abril, representa tanto quanto a família toda que lá permanece ou está, que não há como.

Falo logo cedo com a minha mãe, como faço todos os anos, e as nossas vozes se confundem na linha com o mesmo embargado”25 de abril, sempre!”, de um e do outro lado do Atlântico.  Conta-me ela que no Parlamento Português transcorre neste momento uma sessão comemorativa, com condecorações e outras missivas, em memória aos heróis de Abril, imagino que a maioria deles já falecidos mas enfim, esses heróis que retiraram Portugal, à força do encarnado dos cravos e não do sangue, das profundezas medievais em que o país ainda vivia, mas sobretudo arrancaram a guerra de dentro do peito e das mãos do povo, abrindo caminho finalmente para a tardia libertação dos países africanos falantes de, entre muitas línguas nacionais, português. Passou-se em Portugal a poder dizer-se o que se queria, os portões das prisões abriram-se, voltaram os que precisaram fugir, e o país foi uma festa, uma bonita festa, pá, como se cantou deste lado do Atlântico. “Anda, acorda! Somos livres!”, disse-me minha mãe nessa madrugada, ao acordar-me porque estavam a cantar Grândola, Vila Morena na emissora de rádio.

Alegro-me (a minha mãe também) que em tempos tão sombrios como os que vivemos, em que tantas memórias pretendam ser confundidas, negadas, dissimuladas ou apagadas, Portugal resista oficialmente à onda de negações e erga seu cravo alto e forte, a brilhar na escuridão com o seu vermelho sangue, como que a dizer que a Liberdade é direito fundamental e inalienável de qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta.

Devo a minha mãe o gosto pela luta, a vontade de não obedecer quando a ordem é injusta, o não esmorecer a esperança de que amanhã o dia será melhor, se por acaso o hoje não parecer lá aquelas coisas, o dever de ser livre e de me reinventar se preciso for, apesar do que for, e de ser feliz e agradecida pela luz e pela vida. Devo a minha avó a orientação de perceber sem demora o sofrimento alheio, de reparar que a minha sorte jamais será a pior possível, de não negar uma mão estendida a quem não sabe o que fazer, de parar em vários momentos do dia para me lembrar de que antes de carne sou espírito, o dever de ser melhor do que fui ontem, e o de silenciar quando as palavras são dispensáveis. Devo a minha bisavó o olhar sereno sobre as águas do mar, sem saber o que virá, ou de onde, mas com a confiança absoluta de que virá, porque Deus não falta e Deus é bom e não há mal que nos atinja maior do que as nossas forças, o dever de sorrir diante de adversidades e pôr o pão para assar no forno escavado na rocha açoriana a meio de todos esses pensamentos.

Gosto de lembrar de todas, e de outras que não cabem aqui agora, sempre, neste 25 de abril que se repete anualmente, como fazem as boas coisas, as que têm ritmo na vida. Não seria diferente neste 2022 ainda incógnita para tanto. Salve nossas mães, avós e bisavós, e salve todos os revolucionários de Abril!

Respostas de 17

    1. Que nossas batalhas pelas liberdades se ampliem para além de qualquer fronteira imposta. Que sejamos capazes de manter vivas as conquistas apesar da guerra pela alienação e desvalorização completa das importâncias dos devires! Sejamos persistentes, resilientes, prudentes e que a coragem nunca nos falte!
      Salve todos os revolucionários de abril!

  1. Que lindo e emocionante texto. Obrigado Ana querida por me ajudar a verter lágrimas de emoção que lavam a alma e revigoram nossa crença em um mundo melhor!

  2. Gratidão Ana querida. Contigo exalto também a liberdade, e o respeito. E a fraternidade, revestida de ações concretas e nobres. Saudações às suas ancestrais! Gratidão à vida por tanto ensinamento. Reverencio também minhas ancestrais, mulheres lindas e caladas, resignadas, que me mobilizaram a ser, a reerguer, a amar em liberdade, a escolher. Grande abraço, Ana. Muita Luz envolve você. Gratidão a você!

  3. Emocionante! Quantos batimentos cardíacos nessas palavras. Não pude deixar de lembrar da dureza das décadas de 60, 70 e 80. De tanto calar, de tanta tortura aqui no nosso Brasil. De repente uma dor bate forte por tantos apagamentos, por tantas negaçõese e por um nacionalismo vazio.

  4. “Salve nossas mães, avós e bisavós, e salve todos os revolucionários de Abril!”
    Que lindeza, Ana. Palavras que me aquecem aqui, com renovo e respiro. Gratidão.

  5. Querida Ana,
    Obrigada por aquecer e não deixar esquecer, esmorecer . Sempre Exaltar, agradecer e abençoar.
    Abençoada seja você também, sempre!
    Axé

  6. Querida Ana,
    Quanta emoção vem junto com a celebração da liberdade pela lembrança dos ensinamentos recebidos das mulheres ancestrais.
    São as nossas Helenas que jamais perdem a esperança, a fé e a disposição para lutar contra o pior dos inimigos, aquele que somente se impõem pela força e o fogo das armas para calar a nação.
    Celebremos sempre o 25 de Abril. Celebremos sempre o 7 de Setembro. Em liberdade sempre!
    Abr

  7. Não importa onde estejamos, não importa quando estivemos, nem mesmo quando estaremos. O que importa é que no Aqui é no Agora, meu coração sinaliza que, onde quer que haja um ser humano, onde quer que haja um Ser vivo, haverá sempre um coração vibrando, a caminho da sincronicidade do Amor! Salve o 25 de Abril!! Salve Ana! Salve seus ancestrais!! A sincronicidade está mais próxima para corações portugueses e brasileiros!! Saravá irmã! https://www.youtube.com/watch?v=T58lGKREubo

  8. Ana, querida,
    25 de abril sempre! E sempre neste dia penso em ti (brasileiramente lusa!) na tua família em Portugal, no mar e nas antigas moradas … e me vêm cravos vermelhos na lembrança, claro. Salve 25 de abril! Manda novamente aquele cheirinho de alecrim! Que nos envolva o espírito de resistência e luta para enfrentar este momento brasileiro tão escuro! Salve a volta à democracia plena aqui no solo brasilis 🙌🏼🤗🌈

  9. ✨🙌🙌🙌🙌🙌👌👌👌👌👍👍👍👍

    QUANDO É MESMO NOSSA VIAGEM PARA LÁ?
    À toda minha ancestralidade paterna e Materna que vieram de lá!! ( só duas amada ,eles merecem)kkkk, à todos os nossos irmãos, parente que morreram lutando, à meus irmãos ,primos e amigos que foram presos torturados e alguns mortos
    25 de Abril sempre !!!!!!
    ANA vc é Porreta mesmo minha frôr
    Mil cravos VERMELHO procê Mãe

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