Estar em casa, voltar para casa, ir a caminho de casa. Expressões que nos transportam a um lugar de abrigo, de refúgio, onde é possível se sentir bem e em segurança. Esta semana, é preciso perceber que esse lugar não precisa ser físico, nem estar necessariamente estruturado ou em ordem – mas é, porém, onde encontramos refúgio, onde nos sentimos em paz e onde vivenciamos a sensação, disponível esta semana, de plenitude.
O 10 de Copas é uma carta contente. Une intuição e coragem, e é bem provável que durante a semana possamos sentir impulsos profundos, quase que ordens ditadas pelo nosso mundo interior, e sintamos a coragem necessária para sermos capaszes de seguir em frente e fazer aquilo que a nossa intuição nos diz. É importante que a extrema sensibilidade não atrapalhe o nosso dia a dia, e sobretudo que não permitamos que o mundo externo invada o nosso mundo interno – a nossa casa. Convém separar pequenos tempos diários para respirar e desfrutar. Esquecer-se de tudo e apenas desfrutar, ainda que seja o ar limpo de uma manhã chuvosa e mais nada.
Estamos, por assim dizer, em um apogeu, esta semana. O apogeu, sendo um ápice, é um ponto afastado (o mais afastado do planeta Terra, se falarmos de astros), e por isso duas posições podem suceder-se na semana: conseguirmos olhar o todo, e perceber-lhe a sua beleza, e ao mesmo tempo nos sentirmos terrivelmente longe, como se não conseguíssemos sequer comunicar toda essa beleza que pressentimos (use a palavra que você quiser no lugar de beleza, vai funcionar também). Nem tente, eu diria, porque o tempo provavelmente não seja agora.
Assim como há tempo de se movimentar, há tempo de reconhecer que a hora de se movimentar não é agora, e esse é outro ponto focal da semana. Aguarde um pouco, lembre-se de que “o mar não tem cabelos que a gente possa agarrar”. Diante do maremoto de sensações que a semana pode trazer, incluindo a que nos segreda que algo está para mudar, toda a sua sensação de plenitude, as suas intuições provavelmente muito afloradas, precisam ser como preciosas relíquias guardadas dentro de um relicário. O relicário, esta semana, chama-se casa, e por isso essa palavra é tão importante.
Na Roma antiga, casa era a palavra que definia uma choupana, um casebre, apenas um lugar coberto de habitação. A moradia mais nobre, nas cidades, chamava-se “domus”. Casa é uma palavra ancestral, cuja raiz etimológica remonta a mais de 5000 anos. Através dela, nos unimos a um lugar antigo, onde o estar a salvo era ter chegado a casa. O contentamento, a sensação de plenitude que a semana propicia, está ligada à vivência desse lugar, onde moram a intuição e a coragem, e onde podemos nos sentir em nosso próprio lugar, sabendo que, por ora, aqui é, que aqui somos, e nada mais importa. Use sabiamente o tempo desta semana, perceba as bênçãos da vida ao seu redor e dentro de você, passe os dedos pela superfície calorosa da vida, e retenha em si essa força, essa presença, esse fulgor. Tudo isso é, e será, necessário à vida.