A imagem que representa o arcano VII, o Carro, é, na maioria dos baralhos,exatamente um carro, uma carruagem, um meio de locomoção, um veículo que nos leva de um lugar a outro – mas que ainda não se pôs a caminho. O Carro ainda está parado. Prepara-se, projeta, organiza-se. Reflexão é a palavra que o Carro nos entrega de imediato, assim como a capacidade de ler e interpretar sinais e sintomas de forma correta, o que inclui tempo, paciência, coragem e intuição ativa. Refletir é dobrar-se de novo sobre algo, é voltar a pensar e a olhar e a considerar algo que já foi considerado e pensado. Por isso, há no Carro uma energia de atenção ao detalhe, ao pequeno passo, à organização primordial.
Este Carro que estaciona em nossa porta esta semana nos traz alertas e conselhos bastante específicos, ligados também à velocidade que tende a imprimir assim que se coloca em movimento. O primeiro, e talvez mais importante destes conselhos, é a necessidade de não perdermos a coragem que qualquer viagem pede. Seja em que âmbito for, a mudança que um Carro antecipa precisa da nossa coragem, e essa coragem inclui sabermos que, por muito que nos preparemos e estudemos e estejamos equipados para a jornada, haverá situações e desafios que exigirão de nós o que não sabíamos que precisaríamos. Ou seja, é preciso coragem para saber que não estaremos preparadas para tudo, e assim será a viagem que a vida exigirá de nós, e é assim que seguimos em frente. O segundo conselho que este Carro nos traz é que lutar em várias frentes, se dividir em vários sentimentos, se perder dentro de mil conjecturas a respeito da vida, não nos levará a bom porto. A semana pede foco, e constância. Pede ausência de impulsividade – pede planejamento. Planejar e organizar um dia após o outro, as tarefas definidas e os tempos estruturados, trará alívio aos desafios que a semana possa propor. Tempo ocioso tende a nos fazer perder tempo, forças e coragem.
É possível que a vida pareça entrar em estado preparatório – ou seja, nada parece se mexer, a sensação de aprisionamento pode surgir aqui e ali, como se não houvesse caminho ou porta de saída para as situações que se estejam vivendo. Calma, antes de mais nada, e muita busca do alicerce interno, daquilo que você mesma sente e sabe. Não permita que o mundo externo lhe roube a paz, seja qual seja o motivo. Retorne aos seus planos, à sua rotina, aos seus trabalhos. Os campos minados estão na intolerância, na ignorância e sobretudo nos sentimentos reprimidos que, de repente, explodem sem se entender muito bem por que. Tenha cuidado, porque os campos minados não prometem ser evidentes, as minas estão sob a superfície. O Carro não discute, ele prepara a si próprio para o caminho. Termina de arrumar a mala, de checar o óleo do motor, de verificar a pressão dos pneus. Ele não se lança em discussões estéreis, nem tenta convencer o outro de que sua montaria é melhor. Recomece o que tiver que recomeçar, corrija a rota se entender necessário (o que é provável), confira o seu combustível. Ações intempestivas, acaloradas, irrefletidas, não levam a vida a bom termo esta semana.
Conduzir-se de forma prudente e flexível é propício, esta semana, especialmente nos círculos que você ocupa. Se o coração dispara, silencie. Se a respiração se altera, silencie. Preste atenção à temperatura do ambiente em que você está e não ceda aos impulsos que não estejam alinhados com a voz do seu coração. Sabe aquela sensação de “eu sabia que devia ter ficado calada!”? Não chegue a ela – fique em silêncio antes.
O Carro indica também a necessidade de provisionamento – que faz parte do tal planejamento. Se a viagem é longa, e tudo indica que o seja, prepare-se para ela. Prepare-se para as mudanças que o Carro anuncia, para as novas conquistas, as novas situações. Não assuma posturas derrotistas, nem vencedoras – o Carro está interessado em seguir, e em estar preparado para o terreno das estradas. Levar em conta prós e contras, esta semana, encontra boas energias. Cuide do seu descanso, e mantenha as rédeas das situações da sua vida nas mãos. Tudo muda, o tempo todo. A vida é feita de mudança, e é na mudança que nos percebemos vivos.