A cidade nova XIV – Do telhado

Dizem-me que tome cuidado. Rio por dentro. Gosto dessa palavra, cuidado, parente tão próxima do verbo cuidar. É daquelas que não se sabe muito bem de onde vêm. Pode ser que seja de cogitare – quando pensamos, refletimos, consideramos. E pode ser que venha de agitare – quando conduzimos, dirigimos, instamos. Prefiro achar que seja uma mistura das duas, como se todo pensar levasse a uma direção precisa.  Cuidar  e tomar cuidado como formas de pensamento em estado de ação.
Em dias como os de hoje, que escorrem leves por cima das pedras que forram a vida, é fácil cuidar de quem está em volta. Pensa-se um pouco, a ação vem fácil. As horas passam como brisas de fim de tarde à beira do mar, diluem-se no que está em volta, as tarefas cumpridas sem sacrifício e, súbito, o dia acaba.
A meio da manhã, um estranhamento por dentro. Faço o que manda um dos mestres, Rubem Braga: subi aos céus. Quando tudo parece parado e os homens não se entendem, diz ele naquela crônica deliciosa que intitulou de “Torre Eiffel”, o melhor é subir aos céus. Lá fui. Não porque os homens não se entendam, mas justamente porque parece que tudo pára. E eu subo aos céus antes que os homens se desentendam.
Meu céu é o telhado. Acesso fácil, graças à população de andaimes e escadas que nos rodeia por aqui. Logo me acompanham –  em pouco tempo somos 5 em cima da laje recém nascida. Dou mais uns passos, e passo ao telhado desta casa antiga, as telhas quebradas atestando os maus tratos dos seus últimos anos, os líquens desenhando os contornos do passar do tempo.
Nada como mudar de perspectiva. Não fosse a crônica do Rubem, e as aulas que o terão no centro na semana que vem, talvez não tivesse aliviado o coração desse dia tão leve que quase pesa. Talvez esquecesse que, de cima, afinal, tudo se parece bem mais com aquilo que o coração deseja. E de repente me acenam, para que tome cuidado. O sol nas minhas costas diz-me que é exatamente isso que faço: cuido para que a vida possa continuar leve assim, pelo menos de vez em quando. Por isso penso, e  me movimento. Com todo o cuidado que sei e posso.

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