A melhor maneira de se encontrar esta semana, e de se posicionar de forma positiva e construtiva diante dos desafios da vida, é relacionar-se de maneira alegre e confiante com as tarefas e deveres cotidianos. O que é de dentro de casa, por assim dizer, provavelmente seja o que nos faça avançar pela semana com tranquilidade e segurança. Pode haver uma sensação opressiva durante a semana? Sim, é bastante possível – uma sensação de andarmos em meio a muita neblina, num desfiladeiro que não conhecemos, e parece repleto de perigos e ameaças. É preciso atenção, respiração e, se necessário, dar um passo atrás, que pode significar simplesmente não falar algo que, ainda que pareça urgente, parece também duvidoso.
A Princesa de Ouros gosta dos momentos da preparação das coisas. Ela não se apressa, nem abre para o mundo metade dos seus planos e imaginações. Silenciosa e reservada, vale-se da timidez para crescer e fortalecer-se. Esse é um atributo importante para a semana – sem pressa, com preparação e reserva.
Essa atitude interna provavelmente ajude a lidar com o sofrimento do mundo, agudo e doloroso batendo dia a dia em nossas portas – perceba que isso acontece, por um lado, porque esse sofrimento é real e palpável, e é assim porque pertencemos todos ao mesmo planeta e à mesma humanidade, e é essa laço que nos permite sentir como nossas as dores alheias. Por outro lado, porque existem reservas dentro de nós sendo ativadas, reservas que nos permitem a percepção do outro e a possibilidade de nos coligarmos com esse sofrimento, abrindo a nossa alma à necessidade alheia sem no entando nos deixarmos solapar por ela. É importante, em semanas como a que esta prenuncia, que possamos assumir momentos de recolhimento e silêncio, onde possamos nos refazer e reencontrar o centro da nossa própria força. Por nós e por todos os que, ao longo desta e de todas as semanas, precisarem de nós.
Tenha cuidado com qualquer manifestação de intransigência, de dureza, de intolerância, de agressividade. Se for sua, contenha-se, para não ser invadido por mais e mais negatividade, e espalhá-la ao redor. A sensação de estar com a razão e de algo ser inadiável não são motivos suficientes para se por em campo. Se a manifestação for externa, afaste-se, ponha-se a salvo e, sobretudo, não revide. A escalada das montanhas, inclusive as de ódio, começa sempre pela sua base; se escolhermos não subir, a montanha se desmanchará como se feita de areia fina e solta.
Quando eu disse, no início, que as tarefas e deveres cotidianos nos convêm esta semana, referi-me a tudo aquilo que seja concreto, e onde possamos fazer as nossas mãos trabalhar. Podemos ter impulsos de criatividade, e seria bom dar-lhes caminho. Seja no contato e no trabalho ordenado com a Natureza, seja no fazer artístico, seja no limpar e organizar e harmonizar da nossa casa, do nosso local de trabalho – perceba todas essas atividades, e outras nas quais possa pensar, a partir da ótica de estar conectado com a fonte da vida sem se deixar absorver e levar por ela – ou seja, de forma leve e entregue, mas não estrangulada, não por sentir a mão pesada da tarefa sobre si. Essa conexão interna com a vida, através da atividade concreta e do trabalho com as mãos, provavelmente seja de grande auxílio para atravessar os momentos mais penosos da semana.
Em momentos como os que vivemos, que são de grande exigência e que ao mesmo tempo nos desconectam com facilidade da nossa própria evolução e caminho, as âncoras para o nosso pensar e o nosso sentir residem na vida material. Aprimore-as, utilize-as, e não se desligue de seu próprio devir.